quarta-feira, 2 de outubro de 2019

O Lado Podre do Setembro Amarelo


Se você acompanha o blog e as redes sociais, provavelmente conhece ou pelo menos já ouvir falar do Setembro Amarelo, uma campanha brasileira iniciada em 2015, pela iniciativa do CVV (Centro de Valorização da Vida), do Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria, e que se comemora o combate ao suicídio durante todo o período do mês 09.

A campanha em si é uma ótima forma de conscientizar e mostrar um pouco do drama que muitas pessoas vivem durante boa parte de suas vidas, principalmente os adolescentes e jovens que a cada ano um número maior de mortes por suicídio nesse grupo é registrado, e mesmo assim ainda existem pessoas que acham que depressão é apenas uma "fase ruim" ou mesmo uma forma de "chamar atenção", o que claramente não é.

Em vez de ajudar, indicar um profissional qualificado ou simplesmente tentar entender o que o outro está passando, algumas pessoas julgam e tiram conclusões precipitadas, o que acaba deixando quem já está mal ainda pior.

Com a campanha Setembro Amarelo, muitas pessoas conseguem acesso a mais informações, as vezes até sem estarem procurando, e assim podem ter um maior entendimento da situação. Já aos jovens e adolescentes ou mesmo idosos que têm depressão ou algum outro transtorno mental, podem ser impulsionados de certa forma a procurar uma ajuda profissional adequada que melhor possa lhes ajudar.

Mas afinal de contas, se a Setembro Amarelo pode ser tão benéfico, então qual a finalidade dessa publicação? Bem, o motivo está no título. Apesar do lado bom da campanha e o ótimo motivo pelo qual ela foi criada, também existe uma coisa ruim escondida nas entrelinhas, por assim dizer. Não na campanha em si, mas nas pessoas.

Para entenderem melhor, deixarei para vocês uma publicação que vi num perfil no Instagram que fala exatamente sobre isso. O perfil se intitula @psitarjapreta (Psicologia Tarja Preta) e aborda o tema com diversas publicações falando sobre situações que pessoas com transtornos mentais como ansiedade e depressão, passam praticamente todos os dias e que aos olhos da maioria, não é nada demais.

A página possui várias publicações com uma mensagem mais profunda, porém uma em especial me chamou a atenção. Vi essa publicação compartilhada em um store de um amigo e achei que seria interessante trazer o tema para o blog. A publicação está logo abaixo. Leia com atenção:






Em janeiro João tinha toc, foi chamado de bobo. Em fevereiro Paula era bipolar, e a chamaram de doida. Em março Júlia tinha crises de ansiedade, e diziam para ela se focar no presente. Em abril Leandra tinha anorexia, e ouvia as pessoas rindo e falando dela. Em maio Maria teve síndrome do pânico, e disseram que era frescura. Em junho Pedro teve depressão, e foi chamado de fraco. Em julho Lucas descobriu a esquizofrenia, e disseram que era invenção da cabeça dele. Em agosto Daniel teve transtorno da personalidade borderline, e falavam que ele queria chamar atenção. Em setembro tudo ficou Amarelo, as pessoas começaram a entender todos os problemas e nos estenderam a mão, nos medicaram e postaram textos em suas redes sociais para nos apoiar. Porém em outubro continuaram a nos chamar de loucos, fracos, e diziam que nos faltava fé. "Sua vida é tão boa!", "Como pode reclamar?", eles diziam. Em novembro Pedro se matou, "Mas era tão jovem!", "Era uma boa pessoa", porém tudo que Pedro queria era que todos os meses fossem amarelos também, que os julgamentos acabassem e que as pessoas realmente entendessem que os problemas psicológicos não são escolha nossa, e que nós precisamos de ajuda não só em setembro, mas em todos os meses. Então a partir de hoje faça o Setembro Amarelo ser presente em todos os dias do ano, pois agora mesmo você pode estar ao lado de um Pedro e não sabe. -Jaile Medeiros
Uma publicação compartilhada por Psicologia Tarja Preta 💡 (@psitarjapreta) em  

Infelizmente, é isso o que acontece todos os anos. Muitas pessoas não têm o menor contato com o tema, não se importam em notar o amigo do lado que está triste. Uns falam mal do colega que fica isolado no almoço e "não tem amigos", chamam o garoto nerd da escola de esquisito e o isolam dos grupos de conversa, também tem aquele garoto mais sensível em que todos chamam de "bichinha", "viadinho" e quando as pessoas veem e ouvem, apenas riem e não fazem nada a respeito, e por ai vai...

Essas são só alguma das diversas situações que acontecem todos os dias, durante todos os meses do ano de todos os anos. Uma situação tão repetitiva que muitos já a consideram "normal", mas que em Setembro, tudo muda drasticamente e todos passam a ser "solidários" e "compreensivos" como se tudo de repente tivesse sido colocado em pausa e só voltasse ao play no dia 1º de Outubro.

Mas se faça uma pergunta: Quantas vezes você cedeu um pouco do seu tempo para tentar ouvir o que alguém triste tinha a dizer com a real intensão de ajudar ao invés de apenas querer ficar por dentro do assunto? Quantas vezes você estendeu a mão para ajudar aquele amigo "esquisito" que tinha sido agredido e empurrado pelos "populares" da escola só por que eles o achavam "diferente" da maioria? Quantas vezes você parou para pensar o que se passa na cabeça de um jovem gay e que possivelmente não será aceito pelas pessoas que mais ama? O até mesmo fez algo a respeito quando ouviu aquele comentário de suicídio aparentemente inofensivo de um colega e mesmo achando estranho não conversou a respeito para saber se estava tudo bem? Seria um grito de socorro ou apenas uma brincadeira? Você já parou para pensar que essas pessoas convivem com isso a um tempo e não apenas em Setembro? Que um sorriso no rosto nem sempre é a garantia de que ela ou ele está bem?


Se você chegou até aqui, no início dessa postagem ou mesmo antes de clicar em algum link que o trouxe até o site, deve ter se perguntado: "Por que uma publicação sobre o Setembro Amarelo se já estamos em Outubro?".
A resposta é simples: Porque não devemos falar sobre o tema apenas em Setembro, mas durante todos os dias do ano.
Então, se você tem um amigo que passa por algum desses problemas, não o julgue, ajude-o. Escute-o e tente entendê-lo. Se não sabe como ajudar, encoraje-o a buscar uma ajuda profissional. Você não precisa fazer tudo, mas pode fazer a sua parte. E se você leitor, que está lendo esse post é mais uma pessoa que sofre com algum desses problemas, saiba que você não está sozinho. Busque ajuda, fale com alguém de sua confiança e procure um profissional. Sua vida é importante sim!


Se precisar de um apoio emocional, ligue 188 de qualquer telefone, ou se precisar clique aqui e entre em contato com o Centro de Valorização da Vida direto do seu computador ou celular, tudo de forma sigilosa. Falar sobre nossos problemas com pessoas que realmente querem nos ajudar faz muito bem.

É preciso falar sobre o tema, não apenas no Setembro Amarelo, no Outubro Rosa, Novembro Azul, Janeiro Branco, Fevereiro Roxo, Março Azul-Escuro, Abril Azul, Maio Amarelo, Junho Vermelho, Julho Verde, Agosto dourado e Dezembro Laranja. Todos os meses, todos os dias é um bom dia para ajudar alguém.


Se não souber o que dizer, abrace. As vezes um abraço já é suficiente para deixar o dia cinza de alguém um pouco mais colorido. O importante é conversar, continuar, o importante é viver.

Tenha uma uma excelente vida!

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